Ouvindo a canção “A Lista” de Oswaldo Montenegro me despertou para escrever esta crônica, ele diz em um trecho da música “faça uma lista de grandes amigos, quem você mais via há 10 anos atrás. Quantos você ainda vê todo dia, quantos você já não encontra mais”.

Fez-me voltar no tempo na época do ensino médio em um colégio, mantido por uma igreja evangélica, é gente, apesar das minhas críticas à religião, minha vó optou na ocasião pela instituição, o interessante é que a mensalidade era acessível, e o ensino satisfatório. O que não se ajustava ao meu tamanho eram a moral e os bons costumes que aqueles jovens tinham consigo em pleno século XXI, é claro, que toda regra tem a sua exceção, alguns fugiam das tradicionalidades.

Eu era uma menina beijoqueira e pura ao mesmo tempo, acredite se quiser, gostava de apreciar os lábios dos meninos – que me despertavam desejo e não me importava se essa vontade era todo dia ou uma vez por semana. Adorava a sensação de liberdade que havia naquele momento, sem a opressão da minha casa e das regras impostas, era como caminhar sozinha em um jardim de girassóis sentindo o vento em meu rosto. Aquele era meu momento de liberdade e descobrimento.

Desde a adolescência minha alma livre transparecia para a sociedade que não enxergava com bons olhos aquela menina que ficava com “todo mundo”, que beijava um menino a cada dois dias, ou todo dia, e daí, qual o problema, é crime? Eu nem sabia o que era feminismo, mas pelo meu comportamento transgressor, já poderia me considerar uma feminista por tabela.

Quem tinha problema e criticava meu comportamento era aqueles nos quais a mentalidade e inteligência era moldada a estrutura da igreja, da própria religião ou da família tradicional brasileira. Na verdade, eu penso que as meninas e meninos que me criticavam por beijar mais de um na porta do colégio, às vezes poderia ter vontade de repetir essa atitude, faltava era coragem.

Nunca gostei da existência medíocre, detesto pessoas mornas, há pessoas que apenas existem assim como uma pedra, sem mérito de evolução. Muitas dessas pessoas que já passaram na minha vida sejam como colega ou amigo não compreenderam, ainda, que o ser humano e seus desejos, assim como o mundo, são maiores e vai além da doutrina da família, da religião, do colégio, dos dogmas que são inseridos para espalhar medo e controle. Tá aí, uma palavra que não gosto. Controlar-me jamais, sou um ser em expansão, não sou do tamanho da frustração de ninguém.


“há pessoas que apenas existem assim como uma pedra, sem mérito de evolução”


Essas pessoas não sentem nem vê, mas assim como a música do Belchior, eu não posso deixar de dizer, meu amigo, “precisamos todos, todos rejuvenescer” e na sociedade alternativa do Raulzito: “Faça o que tu queres há de ser tudo da lei”. “Essa nossa lei é a alegria do mundo”.

É claro que já nessa época e alguns anos seguintes tive pessoas que caminharam comigo mesmo com pensamentos retrógrados e desalinhados aos meus, mas atualmente sigo outro caminho que não veste a face desses seres apequenados mediante a imensidão do universo e das diversidades da vida. Hoje tenho muito prazer em ter amigos maduros e com histórias para contar, além de terem uma mentalidade e sabedoria admirável.

Uma dica: seja amigo de uma pessoa “que sabe que não sabe de tudo. Que sabe que outra pessoa sabe o que ela não sabe. Que ela e outra pessoa saberão muitas coisas juntas, que ela e outra pessoa nunca saberão tudo que pode ser sabido.” Isso é ser humilde e essa belíssima observação é do professor e filósofo Mario Sergio Cortella.

Eu aprendo a cada dia com os amigos que fiz profissionalmente, esses já estão inseridos no meu departamento pessoal, aprendo também com a escola da vida, que é a melhor instituição que alguém pode se matricular. Não precisa pagar mensalidade, as matérias são amplas e as vezes divertidas, por hora dificultosas, mas você passa de ano conforme seu desempenho, que não é avaliado por um educador que aplica uma prova, mas por você e pelas coisas que você, meu leitor e leitora, emana nesse universo, nessa imensidão. Tudo o que vai, volta, energia positiva atrai energia positiva, por isso: Good vibes a todos!

E pra finalizar por falar em música, já que citei Oswaldo Montenegro, Belchior e amo filosofia, encerro com Raul Seixas: “O homem tem direito de viver dentro da sua própria vontade, de trabalhar como quiser, de gozar como quiser. De descansar como e quando quiser. O homem tem direito de comer, de beber, de viver como e onde quiser, sob essa face da Terra. O homem tem direito de pensar, de pensar o que queira, de esculpir, de desconstruir, de pintar o que quer que seja. O homem tem direito de amar como e com quem quiser. Todo homem e toda mulher é uma estrela e não existe Deus, se não o próprio homem. Viva, viva, a sociedade alternativa”.

Fran Bueno