Bebida de um vermelho intenso, conhecida como vinagreira do Brasil, justificando seu azedume, ela ganhou a preferência entre os chás. O chá de hibisco é preparado com o cálice do botão seco da flor chamada Hibiscus Sabdariffa, que não é aquela espécie de hibisco normalmente encontrada nos jardins.

 A bebida conta com diversas substâncias como polifenóis – com boas porções do ácido málico, apresentando efeito hepatoprotetor – e antioxidantes – como os flavonóides, especialmente as antocianinas, que possuem efeito cardioprotetor, vasodilatador e contribuem para evitar o acúmulo de gorduras nos vasos sanguíneos.

O Hibiscus possui também papel imbatível como diurético, poderoso no controle da pressão arterial, por reduzir a angiotensina, que é responsável por aumentar a pressão. Porém, se engana quem pensa que ele faz emagrecer, queimando gordura abdominal. Como já foi dito, o Hibiscus ajuda a desinchar, o que nos deixa a sensação do emagrecimento.

Outro benefício que tem sido estudado é a sua relação no controle de tumores no fígado. Por outro lado, seu consumo exagerado pode não ser benéfico. Estudos também estão sendo feitos na interferência do chá de hibisco quanto aos níveis circulantes do hormônio estrogênio no processo de infertilidade. Portanto, atenção! Não é porque é chá que seu uso é indiscriminado. Existem contra indicações, sim! Por exemplo, gestantes e lactantes devem evitar o chá de hibisco.

Alguns estudos preliminares apontaram que a bebida possui ação mutagênica, ou seja, pode interferir na estrutura dos genes do bebê, trazendo problemas.

Deve-se ter cuidado ainda com o consumo excessivo do chá, no caso, acima de um litro por dia. Pois sua ação diurética pode levar à desidratação. Para preparar o chá existem alguns cuidados: nada de jogar uma grande quantidade de flores na água fervente. Para fazer um litro de chá, deve-se esperar a água ferver e só após isso adicionar uma colher de sopa da planta seca, deixando-a ferver por 3 minutos.

Desligar e abafar por 10 minutos. Colocar mais do que a quantidade indicada na intenção de caprichar e aumentar os efeitos pode fazer “o tiro pode sair pela culatra”. Pois o excesso de fitoquímico pode se acumular no fígado, causando lesões pouco a pouco. Outra precaução deve ser quanto ao armazenamento e à duração. O chá de hibisco não deve ser colocado em garrafas de plástico ou metal e dura apenas 24 horas. O Ideal é colocar em recipiente de vidro fechado, para preservar seu princípio ativo.

 Vale alertar também sobre as misturas com o chá, como os ‘suchás’. Não se deve misturar frutas e vegetais da mesma cor do hibisco, para não sobrecarregar o fígado, assim como as plantas de mesma ação, de efeito diurético, para não provocar desidratação, tonturas e, em casos severos, dependendo da quantidade de chá tomado, desmaios.

Mas podemos melhorar seu paladar, colocando gotas de limão, folhas de hortelã, canela em pau, entre outros. Para fechar, é importante lembrar que a versão natural é sempre a mais indicada para uma melhor ação. Evite o chá em sachês, na versão de caixinha ou em pó adoçado, para não comprometer o objetivo.

A“medicina da vovó” precisa sempre ser bem orientada. A importância de um profissional para ajudar a trabalhar da melhor forma o uso do chá é importantíssimo. Pois mesmo sendo n a t u r a l , s e u u s o t e m a ç ã o medicamentosa e não deve ser lançado na rotina alimentar como modismo.

Auriene Moraes

Nutricionista