“A tragédia não é quando um homem morre, a tragédia é aquilo que morre dentro de um homem enquanto ele está vivo”, Albert Schweitzer

Há mais de 15 dias mantenho viva a esperança no meu coração de que minha amada avó, Maria do Carmo, irá se recuperar e voltar para casa, sobretudo para o inseparável amigo dela, o pequeno Release -um pinscher, de 5 anos- mais do que um animal de estimação. Ele é o filho caçula dela.
Quando soube que minha avó havia caído em casa e fraturado o fêmur pensei que ela não fosse aguentar a cirurgia devido a sua própria fragilidade e as complicações da idade, ela me surpreendeu, é a força de viver. É a esperança pulsando ….

Os dias não foram e nem estão sendo fáceis, as paredes do hospital são frias, sinto medo, e angústia quando começo a subir a rampa que dá acesso à enfermaria, me dá um aperto no coração, nunca sei em qual estado vou encontrar a minha avó.

Há dias em que ela interage e fala meu nome, há dias em que simplesmente se silencia, e quase sempre há uma confusão mental, as ideias não encaixam. Ela fica no mundo dela por horas. Antes do acidente já se passava pela minha cabeça: e quando minha vó não se lembrar mais de mim devido a velhice.

Nunca saberia qual seria minha reação e, por incrível, que pareça não fiquei triste, isso é tão insignificante. Pra mim neste momento o que me interessa é cada momento de vida, cada sinal vital, cada suspiro dela.
Os procedimentos médicos me assustam pela primeira vez, entrei em um CTI e lá dentro estava a primeira pessoa que me deu amor nessa vida, a pessoa que mais amo neste mundo.

No lugar da incerteza tenho substituido pela esperança, não de esperar, mas de esperançar e lutar esgotando todas as possibilidades.

Eu durante todo o tempo estou do lado dela, nunca a abandonarei, nem a deixarei sozinha. Quando ela me viu nascer e me acolheu não imaginou que eu fosse me tornar essa neta que a venera mais do que qualquer outra pessoa. Nosso sentimento é diferenciado dos demais da família, é um amor que nasceu em terra firme, ela me estendeu a mão, quando meu pai virou as costas, ela me ajudou a dar os primeiros passos, quando a minha mãe não pôde fazer. Ela me ensinou o sentido da vida!

O que estou fazendo por ela não é obrigação, nem gratidão, é amor. Quem ama com toda a força do mundo receberá esse amor na mesma proporção, não importa em qual fase da vida você esteja.

 

Fran Bueno