Se acontece algo de mau, bebe-se para esquecer; se acontece algo de bom, bebe-se para celebrar, e se nada acontece, bebe-se para que aconteça qualquer coisa

Era desse jeito que Charles Bukowski (1920-1994) levava a vida entre um gole e outro e ressacas horrorosas no dia seguinte, além dos casos de amor entre paixões tórridas e sexo sem pudor. Ele fez da sarjeta sua fonte de inspiração, seu paraíso. Suas histórias grotescas, seu linguajar, que foge do convencional, me fez apaixonar-se por ele, que se tornou um dos meus autores preferidos que teve como influência Fiódor Dostoiévski, que também foi uma referência para Nelson Rodrigues.
Seu estilo autobibliográfico é fascinante, ele era totalmente fora dos padrões, adoro gente assim. Descobri Charles Bukowski eu nem lembro onde deve ter sido bebendo, óbvio. Meu poema preferido dele é blue bird, tanto que tatuei no peito esquerdo um pássaro azul, a narrativa do poema tem muito a ver com a fase em que encontrava e eternei isso na tatuagem, aliás, adoro fazer arte no corpo.
O velho Buk como ficou conhecido mistura repulsa, nojo, ódio, amor, paixão e melancolia em seus livros, tem que ter estômago para ler. Por causa desse conteúdo seu pai o expulsou de casa assim que começou a escrever, ele iniciou no curso de jornalismo, em 1939, mas desistiu de concluir, já estava inserido na vida boemia com o álcool sendo primordial para sua existência.
Bukowski trabalhou um bom tempo como carteiro sua obra “Cartas na Rua” conta um pouquinho da sua trajetória no emprego na pele do Henry Chinaski, o protagonista, que ainda está presente em outras obras. Buk é um cara que se tivesse vivo eu iria adorar tomar um uísque com ele e ouvir seus romances, que não são poucos. Atualmente o que me faz companhia à noite é “Crônicas de um Louco Amor”, parte I.
Ultimamente tenho deixado meu modo Bukowski ligado, principalmente às sextas-feiras, para aliviar a dor da existência, só tomando mesmo boas doses de cerveja gelada e um papo informal no balcão do bar. Relaxa você faz amigos e aprecia à vida. Tem gente que prefere apreciá-la de outra forma, qualquer forma, na verdade é válida. Você só não pode deixar a vida passar sem sentir seu sabor, às vezes o sabor da vida é amargo, mas ainda assim é bom saboreá-lo adicionando uma pitada de chocolate.
Portanto curta a vida de maneira intensa ou moderada, mas viva, sua existência é única, Charles Bukowski viveu até a última gota. Buk tem 45 livros de poesia e prosa, recomendo que leia sem moderação!

Fran Bueno – Destilando…