O ex-prefeito de Volta Redonda Wanildo de Carvalho foi encontrado morto na manhã deste domingo, em sua casa no bairro Monte Castelo. Ele havia completado 81 anos no último dia 16. Segundo as primeiras informações, Wanildo aparentemente sofreu um mal súbito.

Nascido em Pequeri, formado em arquitetura, ele foi prefeito de Volta Redonda entre 21 de fevereiro de 1989 e 1º de fevereiro de 1993, numa das administrações mais conturbadas da história política de Volta Redonda. Era pai da ex-deputada estadual Wanúbia Carvalho, que foi eleita enquanto ele esteve à frente do Palácio 17 de Julho.

Wanildo chegou ao comando do governo municipal por obra de uma fatalidade. Ele foi eleito vice na chapa do presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Juarez Antunes, que morreu em um acidente de carro apenas 21 dias depois de tomar posse.

A morte de Juarez causou um grande tumulto na política municipal. Segundo pessoas próximas, Wanildo não queria assumir o cargo, pois entendia que os eleitores haviam votado em Juarez e não nele. Houve uma grande pressão para que assumisse o cargo, ficando Wanildo entre o PDT formado por membros do partido que não tinham ligações com o sindicato, e os sindicalistas levados para o governo por Juarez Antunes.

O impasse trouxe a Volta Redonda o governador Leonel Brizola, de quem Wanildo era amigo e admirador. Ele, inclusive, esteve no aeroporto internacional do Rio para receber Brizola quando este retornou do exílio após a anistia política.

O governo de Wanildo foi marcado por muitas denúncias de corrupção envolvendo secretários. Em sua época, ficou famosa a expressão “grupo dos 14” na Câmara de Volta Redonda, referente ao número de vereadores que ele reuniu para sustentar o governo.

OBRAS – Apesar das críticas e da forte oposição que enfrentou, sobretudo do então vereador Paulo Baltazar, que viria a sucedê-lo no Palácio 17 de Julho, Wanildo fez obras importantes para a cidade, contribuindo para dar a Volta Redonda a estrutura atual. Tais obras foram fruto de um projeto que ele batizou de “Plano 2000”, que previa diversas obras a fim de modernizar a cidade e prepará-la se para manter em desenvolvimento, com a chegada do terceiro milênio, antevendo, ainda, uma separação econômica da cidade com sua principal empresa, a Companhia Siderúrgica Nacional, cuja privatização já era anunciada no governo Fernando Collor de Mello.

Wanildo foi responsável pelos investimentos em cultura (construção da maior biblioteca pública do Sul Fluminense, o Memorial Getúlio Vargas, do Memorial Zumbi, tombamento do patrimônio histórico do município, entre outros eventos) e da modernização da malha viária em alguns pontos de Volta Redonda.

Entre suas principais realizações, estão os viadutos Nelson Gonçalves, Sávio Gama e João Ravache, nos bairros Santo Agostinho, Jardim Amália e Vila Santa Cecília, respectivamente, a Passarela dos Metalúrgicos, próximo ao Escritório Central da CSN, e o asfaltamento das principais ruas do bairro Santa Cruz.