Bancada do Cidadania na Câmara de Barra Mansa quer cancelar votação das contas e apurar responsabilidade do prefeito afastado

Um dia após o afastamento do prefeito Rodrigo Drable pela Justiça, assim como dois vereadores – Paulo Chuchu e Zélio Show, a maior bancada de vereadores da Câmara de Barra Mansa, do Cidadania, composta por quatro parlamentares, entrou com alguns pedidos para serem analisados pelo Legislativo e pela Justiça. Um deles é voltado para o cancelamento da sessão que aprovou as contas do prefeito, no dia 12 de maio. Nessa sessão, as contas de 2018 do chefe do Executivo, foram aprovadas por 14 votos a 5. A denúncia foi iniciada pelo vereador Gilmar Lelis, que registrou em vídeo uma tentativa de suborno de R$ 30 mil por seu apoio na aprovação das contas e mais outra ajuda na campanha de reeleição.
O Cidadania, através do vice-presidente, Claudio Marques Laureano, deu entrada no pedido de cassação de Rodrigo Drable. O pedido foi feito pelo partido para que nenhum vereador precise de ausentar da sessão para o suplente votar em seu lugar.
Segundo o presidente do Cidadania em Barra Mansa, o vereador Thiago Valério, é no mínimo coerente pedir para essa sessão ser cancelada, já que a investigação do Ministério Público, que resultou na operação de terça-feira, 14, na cidade com o cumprimento de 11 mandados de busca e apreensão, além do afastamento dos envolvidos de seus cargos, foi relativa a tentativa de compra de votos de um dos vereadores Gilmar Lelis. “Além disso, solicitamos, os quatro vereadores, via Justiça, o pedido de cancelamento da sessão, através de um mandado de segurança”, disse.
Os demais vereadores que deram entrada nesse pedido foram: Gilmar Lelis, Mauro Sabino e Marcell Castro. E não só esse pedido que a câmara precisará analisar.
Eles pedem ainda o cumprimento do Regimento Interno da Casa para a realização de sessões já marcadas. Nessa semana elas aconteceriam nesta quarta, quinta e sexta-feira, mas foram canceladas em virtude da operação envolvendo também os outros parlamentares. “Diante desse momento em que vivemos, a cidade não pode ter suas sessões suspensas, não podemos parar nosso trabalho. Até porque a Professora Fátima precisa tomar posse, como também prevê o regimento”, diz Marcell Castro.
O vereador Mauro Sabino falou também que entraram com pedido visando a criação de uma comissão processante para a cassação de Rodrigo Drable. “Como o prefeito já está afastado pela Justiça, apenas um pedido de impeachment já poderia ser analisado, mas também queremos abrir uma comissão processante para investigar os fatos. É nossa obrigação legislar e fiscalizar”, argumenta Sabino.
Gilmar Lelis, autor da denúncia no Ministério Público, falou sobre a afirmação do prefeito afastado de que ele seria alvo de um grupo de oposição que há algum tempo o ameaça e faz críticas vazias tentando comprometer sua imagem. Argumento vazio, em sua opinião, diante de todas as provas apresentadas. De acordo com ele, é uma afirmação muito séria e precisa ser esclarecida. Além disso, existem vídeos que embasaram também a investigação. “O que faço há muito tempo é fiscalizar o Executivo. Não iria me corromper como queriam e tinha que fazer a coisa certa e denunciar às autoridades competentes. Aí, o que aconteceu depois foi uma investigação policial que não tive mais alçada. Chegou uma nova era, não dá para imaginar que pode oferecer dinheiro para uma pessoa e sair ileso disso porque é ilegal”, falou o vereador.
Thiago Valério lembrou que o grupo de oposição não tem gerência no Ministério Público e nem na Coordenadoria de Investigação de Agentes com Foro (CIAF). “A ação do Gilmar na polícia não foi política, foi controlada porque o único papel dele foi denunciar ao MP e o que aconteceu depois foi fruto de uma investigação de dois meses. A polícia sabia que o vídeo ia ser feito”, contou. Thiago continuou dizendo que ele e os demais vereadores do Cidadania cumprem o papel de fiscalizar o Executivo, o que ele tem feito ou não. “Agora dizer que ele não foi afastado por crime de corrupção? Como assim? Foi justamente por isso que o prefeito e os outros vereadores estão sendo investigados: suposta organização criminosa e prática de corrupção ativa”, lembrou.