Estou morando atualmente em Portugal e, mesmo estando longe, continuo acompanhando de perto tudo o que acontece no Brasil. E posso dizer que, assim como eu e minha família, muitos brasileiros que vivem aqui na Europa estão acompanhando essa eleição com bastante preocupação.
É triste ver o nosso país tão dividido. Tenho a sensação de que estamos vivendo uma disputa em que as ofensas, as acusações e os ataques pessoais acabam ganhando muito mais espaço do que as propostas para melhorar a vida dos brasileiros. Parece que muita gente já escolheu seu lado e não está mais disposta a ouvir o outro, muito menos a reconsiderar suas escolhas.
Morar fora não significa deixar de se importar com o Brasil. Pelo contrário! Continuamos tendo família, amigos, histórias e raízes naquele país. O que acontece lá nos afeta, mesmo estando a milhares de quilômetros de distância.
Aqui em Portugal, tenho acompanhado algumas manifestações de brasileiros em apoio às candidaturas e à democracia. Em cidades como Lisboa, Porto, Braga e até mesmo em Aveiro, onde moro, tenho visto pessoas saírem às ruas para demonstrar suas posições. É uma forma de mostrar que, mesmo longe, continuamos participando e nos preocupando com o futuro do nosso país.
Os resultados do primeiro turno na Europa também mostram que os brasileiros que vivem no exterior não pensam todos da mesma maneira. Na Alemanha, Lula recebeu 13.525 votos, contra 3.532 de Flávio Bolsonaro. Na França, foram 8.769 votos para Lula e 1.758 para Flávio. Em Portugal, a disputa foi mais equilibrada: Lula teve 26.401 votos, contra 19.412 de Flávio. Na Espanha, foram 7.263 votos para Lula e 3.338 para Flávio. Já na Grécia, Flávio recebeu 230 votos, contra 196 de Lula. Na Ucrânia, foram 19 votos para Flávio e 4 para Lula.
Outro ponto que me preocupa bastante é a composição da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Não basta renovar os nomes; precisamos pensar na qualidade de quem elegemos, no compromisso dessas pessoas com a democracia e na capacidade de colocar os interesses da população acima dos interesses partidários.
Afinal, o próximo presidente não governará sozinho. O Congresso terá um papel fundamental na aprovação de projetos, nas decisões que afetam a vida dos brasileiros e no equilíbrio entre os Poderes. Por isso, acredito que precisamos olhar para além da disputa presidencial e refletir também sobre quem queremos que nos represente no Legislativo.
No fundo, o que mais me preocupa é pensar no Brasil que estamos deixando para as próximas gerações. Não espero que todos pensem da mesma maneira, mas gostaria de ver um país em que as diferenças políticas não fossem motivo de tanta hostilidade, em que as pessoas pudessem discordar sem se tornarem inimigas e em que o debate fosse mais sobre ideias e menos sobre ataques pessoais.
A gente pode mudar de país, construir uma nova vida e aprender a viver em outra cultura, mas não apaga a própria história. O Brasil continua sendo a nossa casa de origem, o lugar onde estão tantas pessoas que amamos.
E é justamente por isso que, mesmo vivendo em Portugal, continuo preocupado, torcendo e desejando que o Brasil encontre um caminho de mais respeito, responsabilidade e compromisso com a democracia.
